Abril 2010

Atenção, abrirá numa nova janela. PDFVersão para impressãoEnviar por E-mail

Actualizado em Segunda, 31 Maio 2010 15:08 Escrito por Ana Sanona Segunda, 31 Maio 2010 14:58

Segundo o n.º 1 do artigo 74 da nossa Constituição, "todos têm direito ao ensino com garantia, à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar". É fundamental assegurar este direito, mas pergunto-me se é isto realmente que acontece na prática. O que é certo é que o ensino, até à data, é obrigatório até ao 9º ano de escolaridade e aos 16 anos de idade, o que me levanta algumas questões.

   Pela minha experiência como aluna digo que o que se passa no Básico é uma “fantochada”!
   Até ao 9º ano não há qualquer valorização dos bons alunos, nem falo dos que têm boas notas, mas daqueles que se esforçam por aprender e por melhorar o seu desempenho. Até ao 9º ano os bons alunos deviam sentir-se injustiçados e revoltados contra o sistema. Pois, na verdade, o sistema está feito para os maus alunos (aqueles que se estão a “borrifar” para a escola, que não estudam e que nem se dignam a comportar-se como pessoas nas salas de aula, bem como em todo o espaço escolar, desestabilizando completamente o ambiente daqueles que realmente se importam). São eles que ganham com o ensino obrigatório. São eles que passam de ano com 5 e 6 negativas, enquanto outros se esforçam e trabalham para esse fim.
   Eu concordo plenamente com a igualdade de oportunidades e acredito que é importante que o Estado assegure que todas as crianças tenham uma boa educação. Mas para tudo há limites. Não é justo que até ao 3º ciclo vejamos colegas nossos, que nitidamente não fazem o mínimo, serem recompensados da mesma forma que os que se empenham. Não é justo o sistema "levar ao colo" os alunos que não querem progredir!
   O ensino obrigatório é excelente, na teoria. O problema é que o Estado só se preocupa com as estatísticas: se a percentagem de abandono escolar diminui; se a percentagem de alunos com o 9º ano aumenta... Estatisticamente estamos a melhorar! Sem dúvida. Mas e a qualidade do ensino? Não sei quando é que vão parar para pensar nisso.
   Não sei como se consegue motivar os alunos a serem trabalhadores e empenhados, quando o que se ensina é que tanto faz o serem como não, que atingem os objectivos de igual forma. Depois admiram-se que quando saem da escola são poucos ou nenhuns os que estão realmente preparados para o mundo do trabalho. A educação é a base de tudo. Agora pergunto-me, que futuro terá Portugal com o ensino desta maneira?
 
PS: agora até se pretende alargar o ensino obrigatório até ao 12º ano! Melhora a estatística, claro.
 
 
 
 
Ana Sanona